A condição exige diagnóstico rápido somado a um manejo correto, sendo um dos principais desafios metabólicos no período de transição das vacas leiteiras
Bastante comum em rebanhos leiteiros, principalmente em vacas de alta produção logo após o parto, a cetose bovina é uma doença metabólica um tanto complicada para o setor. Por mais que seja um problema conhecido na pecuária, ainda gera grandes perdas por conta da dificuldade de identificação precoce — principalmente em casos subclínicos.
A alteração está relacionada a um balanço energético negativo, que ocorre quando o animal gasta mais energia para produzir leite do que consegue ganhar por meio da alimentação. Consequentemente, ocorre uma mobilização intensa de gordura corporal, ocasionando o acúmulo de corpos cetônicos no organismo.
O que é cetose bovina?
Classificamos como cetose bovina o distúrbio metabólico caracterizado pelo aumento da concentração de corpos cetônicos no sangue, leite e urina das vacas. Esse quadro surge quando há deficiência de glicose disponível para atender à alta demanda energética da lactação, principalmente nas primeiras semanas após o parto.
Para repor a falta de energia, o organismo passa a utilizar reservas de gordura corporal, enquanto o fígado transforma essa gordura em energia, produzindo substâncias chamadas corpos cetônicos.
Em excesso, esses compostos tornam-se prejudiciais, afetando o metabolismo, o apetite e o desempenho produtivo do animal. Assim, a doença pode se manifestar de duas maneiras:
- Cetose clínica: surge a partir de sinais evidentes e queda acentuada na produção.
- Cetose subclínica: não apresenta sintomas claros, mas reduz o desempenho e a fertilidade do animal.
Quando ocorre a cetose bovina?
Aparece mais frequentemente no período de transição, que pode ocorrer entre as três semanas antes e as três semanas após o parto. Esse período é classificado como o de maior desafio metabólico para a vaca leiteira.
Passado o parto, a produção de leite aumenta rapidamente, já o consumo alimentar evolui de forma mais lenta, fatores que resultam em perda energética e favorecem o surgimento da doença. Vacas com mais gordura subcutânea e massa muscular (escore corporal elevado) no pré-parto apresentam um risco ainda maior, pois mobilizam gordura corporal de maneira mais intensa.
Outro ponto é que fatores como dietas mal balanceadas, pouca ingestão de matéria seca, estresse térmico e manejo inadequado contribuem para o desenvolvimento da cetose bovina, tornando o acompanhamento nutricional indispensável nessa fase crítica.
Principais sintomas da vaca com cetose
Identificar rapidamente a cetose bovina é fundamental para evitar agravamentos, mesmo que os sinais possam variar conforme o nível do quadro.
Sintomas clínicos
Normalmente, surgem gradualmente e são observados das seguintes formas:
- Redução do consumo alimentar;
- Queda na produção de leite;
- Perda de peso corporal;
- Fezes secas;
- Diminuição da atividade ruminal;
- Odor adocicado no hálito ou no leite.
Sintomas nervosos
Às vezes, acontece de a cetose bovina evoluir para a forma nervosa, o que é menos comum, porém mais grave. Nessa situação, o animal pode apresentar:
- Andar descoordenado;
- Movimentos repetitivos de mastigação;
- Excitação ou agressividade;
- Salivação excessiva;
- Pressão da cabeça contra objetos.
Esses sintomas evidenciam comprometimento neurológico, que é causado por corpos cetônicos circulantes.
Impacto e prejuízo da cetose no rebanho
A cetose bovina figura entre as doenças metabólicas que mais causam prejuízos econômicos à bovinocultura leiteira, pois, mesmo quando não leva à perda do animal, reduz significativamente o desempenho produtivo e a taxa de concepção, além de aumentar o intervalo entre partos e elevar custos veterinários.
E mais: vacas afetadas pela cetose bovina têm uma recuperação mais lenta e menor longevidade produtiva. Muitas vezes, a forma subclínica da doença passa despercebida, resultando em perdas silenciosas durante a lactação.
Qual é o tratamento para citose bovina?
Um protocolo terapêutico deve ser iniciado o mais cedo possível, tendo como objetivo restabelecer o equilíbrio energético do animal e reduzir a produção de corpos cetônicos. De maneira geral, esse protocolo envolve:
- Suplementação energética oral (como propilenoglicol);
- Ajustes imediatos na dieta;
- Monitoramento clínico;
- Terapias de suporte indicadas pelo médico-veterinário.
A rápida intervenção colabora para a retomada do apetite dos animais, melhora seu metabolismo hepático e contribui para a recuperação da produção leiteira.
Como o anti-inflamatório Déxium® auxilia no tratamento da cetose?
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Além disso, possui ação anti-inflamatória e hormonal, que contribui para estabilizar o metabolismo do animal, favorecendo sua recuperação clínica mais rapidamente. Quando utilizado conforme orientação veterinária, o Déxium® pode melhorar a resposta ao tratamento e acelerar o retorno do animal à produção normal.
Prevenção da cetose e manejos adequados
A prevenção é, sem dúvidas, a melhor estratégia para o cuidado, enquanto o manejo nutricional correto no período de transição é o principal fator para reduzir a incidência da doença no rebanho.
Entre as práticas recomendadas estão:
- Manter o escore corporal adequado no pré-parto;
- Fornecer uma dieta balanceada energeticamente;
- Estimular o alto consumo de matéria seca após o parto;
- Evitar mudanças bruscas na alimentação;
- Monitorar vacas recém-paridas diariamente.
É importante ressaltar que o acompanhamento técnico somado à observação constante dos animais permite a identificação precoce de alterações metabólicas, reduzindo perdas produtivas. Com a nutrição adequada, o manejo eficiente e o tratamento correto quando necessário, é possível controlar a cetose bovina e garantir um melhor desempenho e saúde ao rebanho leiteiro.
Fontes:



