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Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)

No começo, a enfermidade pode passar despercebida, mas alguns sinais como apatia, falta de apetite, febre e gengivas pálidas necessitam de atenção e intervenção veterinária

A anemia infecciosa felina é uma doença que afeta diretamente a saúde dos gatos e até provoca uma queda importante dos glóbulos vermelhos. Nessa condição, alguns agentes podem estar envolvidos, como hemoplasmas — principalmente o Mycoplasma haemofelis, bactéria que tem capacidade de se associar às células vermelhas do sangue, muitas vezes levando à destruição dessas células.

É importante entender que cada Mycoplasma tem suas características próprias e potencial patogênico. O Mycoplasma haemofelis é considerado o mais patogênico porque consegue causar a doença como agente primário, ou seja, sem necessidade de imunossupressão. Outras espécies, como o Mycoplasma haemominutum, são detectadas com mais frequência em gatos, mas não devem ser consideradas menos patogênicas, pois requerem que o animal esteja sob uma condição de imunossupressão para desencadear a doença.

O que é anemia infecciosa felina?

A anemia infecciosa felina, ou micoplasmose felina, é uma enfermidade com ligação principalmente à infecção por bactérias do grupo dos hemoplasmas. O Mycoplasma haemofelis é o mais patogênico, podendo provocar anemia hemolítica, uma situação em que os glóbulos vermelhos são destruídos mais rapidamente do que o organismo consegue repô-los.

É importante salientar que nem todo gato infectado apresenta sinais evidentes: alguns animais carregam o agente sem apresentar alterações clínicas aparentes. Em uma pesquisa realizada no Brasil, somente três entre 18 gatos positivos para M. haemofelis apresentavam alterações clínicas relacionadas, como, por exemplo, mucosas pálidas.

O que causa a anemia infecciosa nos gatos?

A causa principal da anemia infecciosa felina tem conexão com a infecção por hemoplasmas, como:

  • Mycoplasma haemofelis;
  • Candidatus Mycoplasma haemominutum;
  • Candidatus Mycoplasma turicensis.

Essas bactérias podem se associar aos glóbulos vermelhos e, dependendo do agente e da resposta do organismo do animal, contribuir para o desenvolvimento da anemia. A presença da bactéria, porém, não significa necessariamente que o gato vai ficar doente. A intensidade do quadro depende da resposta imunológica do pet, de sua idade, de seu estado geral de saúde e da presença de outras infecções.

Qual é a relação com o vírus da FeLV e FIV?

FeLV e FIV são vírus diferentes dos hemoplasmas, então não são a causa direta da anemia infecciosa felina por Mycoplasma. Porém, pode ser que eles tenham relação significativa na evolução do quadro, principalmente porque têm capacidade de comprometer o sistema imunológico do gato e facilitar o surgimento ou agravamento de outras infecções.

Uma publicação da PubMed mostrou que um estudo realizado com gatos do Sul do Brasil encontrou coinfecção por FeLV em 33,3% dos animais positivos para M. haemofelis, enquanto 5,6% apresentavam FIV e outros 5,6% tinham os dois retrovírus.

Assim, entende-se que, quando há suspeita de anemia infecciosa felina, o veterinário deve recomendar testes para FeLV e FIV. Saber se o gato também possui uma dessas infecções ajuda a entender melhor o quadro e a definir o tratamento mais adequado.

Como a doença é transmitida entre os gatos?

Ainda não é possível informar uma definição única para explicar a transmissão dos hemoplasmas que originam a anemia infecciosa felina. O que se pode dizer é que pulgas e outros ectoparasitas são considerados suspeitos na transmissão, principalmente porque o contato com o sangue tende a facilitar a passagem do agente entre animais.

Sendo assim, outras situações que envolvem contato com sangue também merecem atenção, como brigas entre gatos, principalmente quando há mordidas. Além disso, a ocorrência de hemoplasmas é maior em alguns grupos de animais, como gatos machos e aqueles com acesso à rua.

Mesmo assim, é possível dizer que a micoplasmose felina não é contagiosa, uma vez que o simples contato com um gato infectado não é o suficiente para transmitir a doença.

Sintomas da anemia infecciosa felina

Os sinais da anemia infecciosa felina são diferentes: alguns gatos apresentam apenas alterações discretas, já outros desenvolvem forte anemia e ficam claramente abatidos.

Os principais sinais que chamam a atenção do tutor são:

  • Apatia e falta de energia;
  • Falta ou redução do apetite;
  • Perda de peso;
  • Febre;
  • Fraqueza;
  • Respiração mais acelerada;
  • Gengivas e outras mucosas mais pálidas ou amareladas;
  • Maior frequência cardíaca.

Esses sintomas não são exclusivos da anemia infecciosa felina. Doenças renais, infecções, parasitas, problemas imunológicos e outras condições também causam anemia ou sinais semelhantes. Por isso, observar os sintomas é apenas o primeiro passo.

Como o médico veterinário realiza o diagnóstico?

O diagnóstico da micoplasmose felina é feito de acordo com a junção da avaliação clínica e exames de laboratório. Somado a isso, é provável que o veterinário pergunte se o gato tem acesso à rua, se já apresentou pulgas ou carrapatos, se convive com outros gatos e se houve episódios recentes de brigas ou mordidas.

O hemograma se apresenta como um dos exames mais importantes para verificar se existe anemia e avaliar outros componentes do sangue. Para identificar o agente, o médico-veterinário costuma solicitar exames específicos, como PCR. Em pesquisas brasileiras, o PCR foi utilizado para identificar diferentes espécies de hemoplasmas em gatos.

A avaliação ainda pode incluir testes para FeLV e FIV para uma busca mais aprofundada.

Como é o tratamento da anemia infecciosa felina?

O tratamento da anemia infecciosa felina envolve aspectos como a gravidade do quadro, o agente identificado e as condições gerais do animal. Quando a infecção por Mycoplasma haemofelis é diagnosticada ou fortemente suspeita, medicamentos com doxiciclina são opções frequentemente indicadas por veterinários.

Além do antibiótico, gatos com anemia mais intensa precisam de cuidados de suporte, como:

  • Hidratação;
  • Suporte nutricional;
  • Acompanhamento frequente do hemograma;
  • Em casos graves, transfusão de sangue.

Antibiótico Doxy-Top® para gatos

Quando há indicação profissional, o Doxy-Top®, da Chemitec, é um excelente antibiótico contra os sintomas e agentes da anemia infecciosa felina. O medicamento está entre os antibióticos destinados à área de medicina veterinária disponíveis no portfólio da empresa.

O Doxy-Top® é um antimicrobiano à base de doxiciclina, pertencente à classe das tetraciclinas, com um mecanismo de ação que impede bactérias sensíveis de continuarem se multiplicando.

Antibiótico Chemitril® comprimidos

O Chemitril® comprimidos contém enrofloxacino e é apresentado pela Chemitec para o tratamento de determinadas infecções bacterianas em gatos. A indicação depende da bactéria envolvida e da avaliação do médico-veterinário.

O medicamento tem capacidade de eliminar bactérias patogênicas, ou impedir seu crescimento, para prevenir complicações graves e até mesmo salvar vidas felinas.

Especificamente para anemia infecciosa felina, o remédio não deve ser tratado como substituto da terapia indicada para hemoplasmose. O veterinário pode considerar o produto quando houver indicação para infecções bacterianas sensíveis ao enrofloxacino, inclusive situações associadas. Sendo assim, a opinião profissional é indispensável.

Como a anemia infecciosa felina pode ser prevenida?

A prevenção da anemia infecciosa felina começa pelo controle dos parasitas externos. Manter o gato protegido contra pulgas e outros ectoparasitas ajuda a reduzir fatores que podem estar envolvidos na transmissão dos hemoplasmas.

Também vale reduzir situações de briga e contato com gatos desconhecidos, principalmente para animais que têm acesso à rua. Manter consultas veterinárias periódicas e realizar testes para FeLV e FIV quando recomendados também ajuda na prevenção.

Resumidamente, algumas medidas simples fazem diferença, como:

  • Manter o controle de pulgas recomendado pelo veterinário;
  • Evitar o acesso livre à rua;
  • Reduzir o contato com animais desconhecidos;
  • Fazer acompanhamento veterinário periódico;
  • Realizar testes de FeLV e FIV quando indicados;
  • Não compartilhar medicamentos entre animais.

A anemia infecciosa felina é transmissível para seres humanos ou cães?

Não, pois os agentes envolvidos na anemia infecciosa felina são adaptados aos gatos, portanto não se trata de uma zoonose.

Também é importante diferenciar os hemoplasmas felinos de outras espécies de Mycoplasma que podem infectar outros animais. Um cão ou uma pessoa que conviva com um gato diagnosticado não devem ser considerados automaticamente em risco de desenvolver a mesma doença.

Mesmo assim, o controle de pulgas continua sendo importante para todos os animais da casa, pois, além de contribuírem para diferentes problemas de saúde, os ectoparasitas podem atuar como vetores ou estar associados à transmissão de agentes infecciosos entre animais.

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Fontes:

  • Chemitec
  • Universidade do Estado de Santa Catarina
  • PubMed
  • Journal of Feline Medicine and Surgery