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Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)

Embora possa parecer uma condição simples de início, tem capacidade de evoluir para quadros bastante graves se não tratada

Geralmente caracterizada por inchaço, calor local e dor à palpação, a bursite em bovinos compromete a saúde locomotora do rebanho. Quando um desses animais sente dor ou dificuldade para se mexer, tende a diminuir seu consumo de alimento, afetando diretamente seu ganho de peso e, consequentemente, gerando queda no desempenho produtivo.

A bursite em bovinos é uma condição relativamente comum em sistemas de criação intensivos e extensivos, ocorrendo quando uma estrutura chamada bursa sofre inflamação.

Por mais que pareça um problema simples no início, a condição pode chegar a quadros mais graves se não for identificada e tratada rapidamente.

O que é a bursite em bovinos?

As bursas são pequenas bolsas com líquido que protegem (como se fossem amortecedores) ossos, tendões, músculos e pele contra atritos. Ao sofrer irritação ou lesão, essa estrutura pode desencadear uma inflamação, que dá nome à chamada bursite em bovinos. A tendência é que o problema apareça principalmente em regiões sujeitas a impactos frequentes, como joelhos, jarretes, ombros e outras áreas de apoio do animal.

Além desta, existe a chamada bursite cervical em bovinos (também conhecida como bursite da cernelha), que é um tipo específico de bursite caracterizado pela inflamação das bolsas sinoviais localizadas na região do pescoço ou cernelha do animal. A inflamação, no geral, costuma provocar inchaço, desconforto e, às vezes, dificuldade para caminhar.

Diferença entre bursite aguda, crônica e infecciosa

O primeiro estágio é a bursite aguda: aqui, o animal provavelmente vai apresentar inchaço, calor local e sensibilidade. O quadro normalmente surge após pancadas, quedas ou pressão excessiva sobre determinada região.

Já a bursite crônica acontece quando o problema inicial não é tratado e persiste por semanas ou até meses. O local tende a ficar rígido por conta da formação de tecido fibroso, uma vez que o excesso de líquido bursal se acumula e a parede da bursa fica espessada por tecido fibroso. Por outro lado, esses aumentos bursais se desenvolvem como inchaços que não causam dor e, caso não inchem muito, não interferem gravemente na função da região.

Por fim, a bursite infecciosa, também chamada de bursite séptica, pode ser desencadeada por infecção. Ocorre quando bactérias (principalmente a Staphylococcus aureus) contaminam a bursa, sendo um quadro mais grave que surge acompanhado por dor intensa, claudicação (manqueira) e alto risco de disseminação da infecção.

Causas comuns e fatores de risco no rebanho

São muitos os fatores que favorecem o surgimento da bursite em bovinos, mas podemos citar os traumas repetitivos como os mais comuns. Eles são causados pelo contato frequente com pisos duros, concretos irregulares, pedras e instalações com estruturas precárias.

Animais mais pesados apresentam maior risco, principalmente quando ficam muito tempo deitados em superfícies mais rígidas.

Resumidamente, os principais fatores de risco são:

  • Pisos ásperos ou escorregadios;
  • Camas insuficientes ou malconservadas;
  • Superlotação de currais;
  • Traumas durante o manejo e transporte;
  • Falhas no bem-estar animal;
  • Lesões de pele que favorecem infecções.

Lesões podais (alterações, ferimentos ou doenças que afetam os tecidos dos pés ou cascos) e problemas locomotores estão entre as principais causas de perdas produtivas na bovinocultura, afetando o desempenho e o bem-estar animal, e, consequentemente, a rentabilidade das propriedades.

O que é a bursite séptica e qual é a sua relação com a brucelose?

A bursite séptica é caracterizada pela presença de bactérias dentro da bursa inflamada e acontece após ferimentos, lesões abertas ou contaminações locais.

A bursite em bovinos, em alguns casos, está relacionada com a brucelose bovina, uma doença causada pela bactéria Brucella abortus, capaz de provocar diversas alterações inflamatórias, como lesões articulares e bursais.

Por isso, quando há suspeita de bursite infecciosa recorrente ou relacionada a outros sinais clínicos, a investigação sanitária do rebanho é fundamental. Além de prejuízos econômicos, a brucelose é uma zoonose, ou seja, pode ser transmitida para seres humanos, o que requer ainda mais atenção dos produtores e médicos-veterinários.

Como identificar a bursite em bovinos?

A identificação precoce da bursite em bovinos é a principal forma de evitar complicações e de acelerar a recuperação dos animais acometidos. O principal sinal a ser observado é o surgimento de um inchaço localizado próximo a articulações ou áreas de apoio.

Outros sintomas incluem:

  • Aumento de volume na região afetada;
  • Sensibilidade ao toque;
  • Dor durante a movimentação;
  • Claudicação (manqueira);
  • Redução da disposição para caminhar;
  • Queda no consumo alimentar.

Nos quadros infecciosos, um aumento da temperatura local, secreção e piora significativa do estado geral do animal também podem ocorrer.

Como diagnosticar a bursite em bovinos?

Inicialmente, o médico-veterinário faz uma avaliação clínica com o máximo de detalhes, observando o histórico do animal, o local da lesão e os sintomas apresentados. Dependendo da complexidade do caso, exames complementares são solicitados para confirmar o diagnóstico e descartar outras doenças.

Entre esses exames, estão:

  • Ultrassonografia;
  • Radiografia;
  • Coleta e análise do líquido da bursa;
  • Testes laboratoriais para investigação de infecções.

Os resultados destes exames vão indicar e diferenciar bursites traumáticas de infecciosas ou associadas a outras enfermidades.

Formas de tratamento da bursite bovina

O tratamento da bursite em bovinos é indicado de acordo com a gravidade do quadro e da causa da inflamação. Para casos em estágios iniciais, a redução da pressão sobre a região afetada e a melhoria das condições de alojamento costumam fazer parte das primeiras medidas.

O médico-veterinário também pode recomendar:

  • Uso de anti-inflamatórios;
  • Controle da dor;
  • Drenagem do conteúdo da bursa, quando necessário;
  • Tratamento antibiótico nos casos infecciosos;
  • Correção de falhas de manejo.

Caso seja indicado o uso de anti-inflamatórios, uma excelente opção é o Déxium® da Chemitec, que auxilia no controle da resposta inflamatória, sendo um grande aliado a tratamentos de urgência em bovinos que necessitam de rápida e intensa ação corticoide.

Quanto mais cedo a bursite em bovinos for tratada, menores serão as chances de evolução da doença para quadros crônicos.

Como prevenir a bursite em bovinos?

A prevenção da bursite em bovinos tem ligação com boas práticas de manejo e bem-estar animal.

Ambientes adequados reduzem significativamente os riscos de traumas e inflamações, a partir da manutenção de boas condições para pisos, inspeções frequentes no rebanho e o rápido tratamento para lesões, mesmo que pequenas.

Programas sanitários eficientes também colaboram para a redução do risco de doenças infecciosas associadas à bursite, como a brucelose.

A observação diária dos animais continua sendo uma das ferramentas mais importantes para identificar alterações precocemente e evitar perdas produtivas.

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Fontes: