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Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)

Segundo dados da Associação Brasileira de Clínicos de Felinos (ABFel), a enfermidade está entre as principais causas de atendimento em felinos idosos

A doença renal crônica em gatos é mais frequente em felinos adultos e idosos, e ocorre quando os rins vão perdendo, aos poucos, a capacidade de filtrar o sangue e eliminar substâncias tóxicas do organismo. Como essa perda é lenta, muitos tutores acabam notando o problema quando já está em estágios mais avançados.

Assim como nos seres humanos, os rins têm funções essenciais para o organismo dos gatos: além de eliminar resíduos pela urina, eles ajudam a controlar a pressão arterial, equilibrar minerais, regular a hidratação, além de participarem da produção de hormônios importantes. Então, quando esses órgãos deixam de funcionar corretamente, todo o organismo sofre as consequências.

Além disso, aproximadamente 30% a 40% dos gatos acima de 10 anos podem apresentar algum grau de doença renal, o que reforça a importância de consultas periódicas.

O que é e o que causa a doença renal crônica em gatos?

A doença renal em gatos tem a perda irreversível e progressiva da função dos rins como característica. Ou seja, o tecido renal danificado não se regenera, tornando fundamental o diagnóstico precoce para retardar a evolução da doença e preservar a qualidade de vida do animal.

Algumas raças, como, por exemplo, persa, maine coon, siamês e abissínio, apresentam maior predisposição para determinadas doenças renais hereditárias.

Não há como apontar um único fator para o desenvolvimento da doença, já que, em algumas situações, o problema tem relação direta com o envelhecimento. Porém, diversos fatores podem contribuir para o aparecimento da insuficiência renal, como:

  • Envelhecimento dos rins;
  • Predisposição genética;
  • Infecções urinárias recorrentes;
  • Hipertensão arterial;
  • Intoxicações por medicamentos ou plantas;
  • Doenças inflamatórias e autoimunes;
  • Alterações congênitas.

Sintomas da doença renal crônica em gatos

Os sinais da doença renal em gatos normalmente surgem de forma bastante discreta, visto que os gatos escondem sintomas de dor ou desconforto. Então, muitos tutores só percebem que há algo de errado quando os rins já estão bem comprometidos.

O fato de os primeiros sinais serem semelhantes aos do envelhecimento natural deixa o diagnóstico visual do tutor ainda mais difícil. Assim, qualquer alteração no comportamento merece atenção.

Os sintomas mais comuns da doença renal em gatos incluem:

  • Aumento do consumo de água;
  • Maior produção de urina;
  • Perda de peso;
  • Falta de apetite;
  • Vômitos;
  • Mau hálito;
  • Fraqueza;
  • Pelagem sem brilho;
  • Desidratação;
  • Anemia, alterações neurológicas, pressão alta e comprometimento de diversos órgãos (estágios mais avançados).

Como funciona o diagnóstico e o estadiamento da doença?

Para o diagnóstico correto da doença renal crônica em gatos, é necessária uma combinação de exames clínicos e laboratoriais. Entre os exames mais utilizados estão:

  • Hemograma;
  • Perfil bioquímico;
  • Dosagem de creatinina;
  • Ureia;
  • SDMA;
  • Urinálise;
  • Relação proteína–creatinina urinária;
  • Aferição da pressão arterial;
  • Exames de imagem, como ultrassonografia.

Após confirmar a doença, o veterinário utiliza o sistema de classificação da International Renal Interest Society (padrão médico-veterinário global usado para diagnosticar, estagiar e tratar doenças renais em cães e gatos) para determinar o estágio da doença. Esse estadiamento considera principalmente os níveis de creatinina, SDMA, presença de proteinúria e pressão arterial.

Essa classificação é muito importante, tanto para o tratamento quanto para estimar a evolução da doença renal crônica em gatos.

A doença renal crônica em gatos tem cura?

Infelizmente, não existe uma cura completa para a doença renal crônica em gatos. Como os rins sofrem um processo de degeneração irreversível, não é possível recuperar completamente o tecido que foi perdido.

Ainda assim, existe um ponto positivo: muitos gatos conseguem viver por vários anos após o diagnóstico, mas isso quando recebem tratamento adequado e acompanhamento veterinário. O foco passa a ser controlar os sintomas e suavizar a progressão da doença.

Quanto mais cedo a doença for identificada, maiores serão as chances de manter o animal estável por um longo período. Por isso, exames preventivos são de extrema importância.

Tratamento e manejo da doença renal crônica em gatos

O tipo de tratamento para a doença renal crônica em gatos depende do nível da doença e das alterações apresentadas em cada caso. Não existe um único protocolo de cuidado, já que cada felino responde de maneira diferente.

Para o tratamento apresentar bons resultados, são necessários consultas periódicas, exames regulares e ajustes frequentes do tratamento de acordo com a evolução do quadro clínico. O objetivo é aliviar os sintomas, controlar complicações e preservar ao máximo a função renal remanescente do animal.

Controlar alterações secundárias, como hipertensão, anemia, aumento do fósforo e perda de proteínas pela urina, também pode fazer parte do tratamento.

Mudança na dieta

Esta é uma das partes mais importantes do processo de tratamento da doença renal em gatos. Dietas específicas são indicadas, geralmente com alimentos que reduzam níveis de fósforo e com proteínas cuidadosamente balanceadas, diminuindo a sobrecarga sobre os rins. E mais: essas dietas costumam conter antioxidantes, vitaminas, ácidos graxos, ômega-3 e nutrientes que ajudam a manter a função renal por mais tempo.

É importante destacar que a troca da alimentação deve acontecer somente com orientação veterinária, isso porque gatos apresentam resistência às mudanças alimentares, então é indispensável uma adaptação gradual para evitar que deixem de comer.

Fluidoterapia e controle medicamentoso

Pode-se dizer que a fluidoterapia é uma das principais estratégias para controlar a doença renal crônica em gatos, principalmente quando há desidratação ou piora da função renal. Para alguns felinos, o veterinário pode recomendar aplicações de fluidos por via subcutânea, o que pode ser feito em casa, inclusive, desde que o tutor seja devidamente orientado.

Além disso, a depender das necessidades do animal, medicamentos podem fazer parte do tratamento. Normalmente, são indicados para controlar pressão arterial, náuseas, vômitos, alterações do fósforo, anemia e perda de proteínas pela urina.

É importante também considerar que qualquer medicamento deve ser prescrito exclusivamente pelo médico-veterinário, uma vez que a automedicação pode agravar o quadro e comprometer ainda mais a saúde dos rins do animal.

É possível prevenir a doença renal nos felinos?

Não são todos os casos da doença renal em gatos que podem ser evitados, principalmente quando há predisposição genética. Porém, alguns cuidados ajudam muito na redução dos riscos e ainda favorecem o diagnóstico precoce.

As principais recomendações incluem:

  • Manter água limpa e fresca sempre disponível;
  • Estimular a ingestão de água com fontes para gatos;
  • Oferecer uma alimentação de qualidade;
  • Evitar medicamentos sem prescrição veterinária;
  • Realizar check-ups periódicos;
  • Fazer exames anuais, principalmente após os sete anos de idade;
  • Controlar doenças como hipertensão e diabetes.

Como a doença renal crônica em gatos progride gradualmente, identificar alterações logo no início é benéfico para o sucesso do tratamento. Com o acompanhamento veterinário, uma alimentação adequada e um bom manejo, muitos felinos conseguem manter uma boa qualidade de vida por anos.

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Fontes:

  • Chemitec
  • Associação Brasileira de Clínicos de Felinos (ABFel)
  • International Renal Interest Society (IRIS)

MSD Manual Veterinário