Por ser bastante contagiosa, é necessário saber identificar, tratar e prevenir a doença para reduzir prejuízos na granja
O bom desempenho dos suínos depende muito das condições de sua saúde respiratória. Sendo assim, a pneumonia enzoótica suína é uma preocupação constante para produtores e veterinários, isso por conta da sua capacidade de afetar rebanhos em diferentes fases de criação, levando a grandes perdas econômicas.
A doença compromete o ganho de peso dos animais e aumenta os custos com medicamentos, manejo e tempo de permanência dos suínos nas instalações. Por isso, conhecer as formas de transmissão, os sinais clínicos e as medidas de prevenção é essencial para manter a produtividade da granja.
O que é a pneumonia enzoótica suína?
A pneumonia enzoótica suína é uma doença respiratória crônica causada principalmente pela bactéria Mycoplasma hyopneumoniae, um perigoso patógeno primário associado ao complexo de doenças respiratórias dos suínos (síndrome multifatorial que afeta o sistema respiratório de porcos, especialmente nas fases de crescimento e terminação).
Esse agente ataca o sistema respiratório dos animais, reduzindo as defesas naturais dos pulmões e facilitando a entrada de outros microrganismos.
Na prática, isso significa que os suínos ficam mais vulneráveis a infecções secundárias, tornando os quadros respiratórios mais complexos e difíceis de controlar. Por esse motivo, a pneumonia enzoótica suína costuma estar associada ao complexo de doenças respiratórias dos suínos (CDRS).
A doença está presente em diversos países produtores de carne suína. Estudos da Embrapa apontam que lesões pulmonares relacionadas a doenças respiratórias podem ser encontradas em mais de 50% dos animais abatidos em determinadas situações de campo.
Transmissão e fatores de risco da pneumonia enzoótica suína
A transmissão da pneumonia enzoótica suína ocorre principalmente pelo contato direto entre animais infectados e sadios. A bactéria Mycoplasma hyopneumoniae é eliminada pelas secreções respiratórias e se espalha com facilidade em ambientes com alta densidade de animais por meio do contato direto de focinho com focinho a partir de suínos infectados, fômites (objetos ou superfícies inanimadas capazes de reter e transportar agentes infecciosos) e por aerossóis a uma distância de até 3 km.
Depois de ocorrer a infecção, a bactéria se junta aos cílios das células epiteliais do trato respiratório, o que resulta em aglomeração e, ocasionalmente, em morte celular.
Outro ponto de transmissão é a introdução de animais portadores no plantel. Muitas vezes, os suínos não apresentam sintomas evidentes, mas continuam disseminando o agente para os demais animais da granja.
Os principais fatores que aumentam o risco de ocorrência da doença são:
- Superlotação das instalações;
- Falhas de ventilação;
- Mudanças bruscas de temperatura;
- Excesso de poeira e gases;
- Mistura frequente de lotes;
- Falhas nos protocolos sanitários.
Quais são os sintomas da pneumonia enzoótica suína?
Os sinais vão aparecendo aos poucos, tendo como sintoma mais comum uma tosse seca e persistente, desencadeada quando os animais são movimentados ou durante os horários mais frios do dia. Também é comum observar espirros e dificuldade respiratória em alguns casos.
Às vezes, acontece de a doença se instalar silenciosamente, passando despercebida em seus estágios iniciais.
Outros sinais frequentemente observados incluem:
- Redução do ganho de peso;
- Menor consumo de ração;
- Crescimento desigual do lote;
- Respiração acelerada;
- Apatia;
- Queda no desempenho produtivo.
Até em casos de mortalidade baixa, a tendência é que os prejuízos econômicos sejam elevados por conta da redução da eficiência produtiva e do aumento dos custos operacionais.
Métodos de diagnóstico da pneumonia enzoótica suína
Primordial para definir as melhores estratégias de controle, o diagnóstico correto da pneumonia enzoótica suína deve ser realizado, em rebanho, por um médico-veterinário, combinando sinais clínicos (tosse seca e crônica) com a avaliação de lesões características na necropsia de animais abatidos. Para uma confirmação precisa, são utilizados exames laboratoriais como PCR e histopatologia.
A observação da tosse em diferentes lotes pode fornecer indícios importantes da presença da doença. No entanto, apenas a avaliação clínica não é suficiente para confirmar o diagnóstico.
Entre os métodos mais utilizados para obter o diagnóstico estão:
- Exames laboratoriais por PCR;
- Sorologia;
- Avaliação de lesões pulmonares no abate;
- Histopatologia;
- Isolamento do agente em laboratórios especializados.
A inspeção dos pulmões durante o abate também permite informações importantes sobre a gravidade da pneumonia enzoótica suína dentro da granja, ajudando a direcionar medidas eficazes para o controle da doença.
Estratégias de tratamento e controle medicamentoso
Para a eficácia do tratamento, é necessário considerar o estágio da doença, a presença de infecções secundárias e características específicas da propriedade. Tudo isso deve ser feito com o acompanhamento de um médico-veterinário.
Normalmente, são utilizados antimicrobianos que auxiliam no controle dos agentes envolvidos e na redução da disseminação da infecção dentro do lote. O manejo adequado também é indispensável para aumentar a eficácia dos tratamentos.
Além do tratamento da infecção, é preciso cuidar da inflamação para a recuperação dos animais, e, neste caso, a Chemitec indica o Flunixin® injetável, que pode ser utilizado como anti-inflamatório não esteroidal. O medicamento apresenta uma potente ação analgésica, antitérmica e antiendotóxica, e foi especialmente desenvolvido para tratar processos inflamatórios, além de controlar a febre e os sintomas de dor em suínos.
Junto ao tratamento medicamentoso, recomenda-se melhorar a ventilação das instalações, reduzir fatores de estresse e reforçar as medidas de biosseguridade para evitar novos casos.
Como prevenir e controlar a pneumonia enzoótica suína?
A prevenção da pneumonia enzoótica suína é a estratégia mais interessante para evitar a disseminação da enfermidade. Granjas que investem em programas preventivos costumam apresentar melhores índices produtivos e menores gastos com tratamentos emergenciais.
Um dos principais pontos desse controle é a vacinação: programas vacinais estruturados reduzem a gravidade das lesões pulmonares, diminuindo a ocorrência de sintomas clínicos e contribuindo para melhorar o desempenho dos animais ao longo do ciclo produtivo.
Além disso, existem outras medidas importantes que colaboram para a prevenção da doença, como:
- Controle rigoroso da entrada de animais;
- Quarentena para novos lotes;
- Limpeza e desinfecção das instalações;
- Controle da qualidade do ar;
- Redução da densidade animal;
- Manejo adequado dos lotes.
Segundo informações da Embrapa e do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), programas integrados de biosseguridade, vacinação e manejo sanitário estão entre as ferramentas mais eficazes para controlar doenças respiratórias na suinocultura moderna.
Quando todas essas ações são aplicadas em conjunto, a incidência da pneumonia enzoótica suína tende a diminuir significativamente, proporcionando um melhor desempenho produtivo e, consequentemente, uma redução dos prejuízos econômicos para o produtor.
Fontes:


