Entender os primeiros sinais e estratégias de prevenção são fatores cruciais para manter a saúde dos animais
As infecções respiratórias em equinos são uma das principais preocupações no manejo desses animais, principalmente em períodos de baixas temperaturas ou em ambientes confinados. Esses quadros podem afetar desde a performance até a sobrevivência dos animais se não forem identificados e tratados corretamente.
É válido mencionar que cavalos são respiradores nasais, ou seja, respiram apenas pelo nariz, e não pela boca.
Quais são as principais infecções respiratórias em equinos?
As infecções respiratórias em equinos acometem o trato respiratório superior e/ou inferior dos cavalos, podendo ser causadas por agentes virais ou bacterianos. A transmissão ocorre por contato direto entre animais, objetos contaminados ou até por gotículas respiratórias no ambiente.
Essas doenças comprometem a saúde dos equinos de forma significativa, podendo reduzir a performance em cavalos atletas e levar a complicações sérias se não houver um diagnóstico precoce e o manejo adequado.
A seguir, conheça os tipos mais comuns de infecções respiratórias em equinos.
Pneumonia (viral e bacteriana)
A pneumonia, nome dado quando a infecção chega aos pulmões, é uma das infecções respiratórias em equinos mais graves. Pode ser desencadeada por vírus, como os causadores de gripe equina, ou por bactérias que invadem o tecido pulmonar após uma infecção primária.
Geralmente, cavalos com pneumonia apresentam tosse produtiva (com catarro), secreção nasal espessa e febre, além de sinais como apatia e perda de apetite. O diagnóstico pode ser feito a partir de um exame clínico e, muitas vezes, exames de imagem e cultura de secreções.
Herpesvírus equino
Os herpesvírus equinos (EHV-1 e EHV-4) são agentes virais causadores de diversas infecções respiratórias em equinos, especialmente em potros e animais jovens. Podem afetar os sistemas respiratório, reprodutivo e nervoso, gerando prejuízos aos criadores.
As enfermidades causadas por esses agentes são conhecidas como rinopneumonites equinas, já que ambas as cepas provocam alterações no trato respiratório. No entanto, o EHV-1 também pode desencadear abortos no final da gestação, morte de potros recém-nascidos e distúrbios neurológicos.
A transmissão ocorre principalmente por secreções nasais e aerossóis de animais infectados, além do contato com fetos abortados e fluidos e membranas contaminadas. Também é possível haver uma infecção indireta por meio de objetos, instalações ou ambientes que contenham o vírus.
Outro fator importante é que os vírus EHV-1 e EHV-4 permanecem em estado de latência no organismo. Sendo assim, muitos cavalos não apresentam sintomas, mas podem manifestar a doença em situações de estresse, favorecendo a disseminação silenciosa entre os animais.
Gripe equina
A gripe equina é outra condição de origem viral das mais contagiosas, causada pelo vírus da influenza equina. Tem a capacidade de se espalhar rapidamente em ambientes com grande concentração de animais, como haras e locais de eventos.
Cavalos infectados podem apresentar tosse seca, febre alta, secreção nasal clara a mucopurulenta e redução do desempenho físico, sendo a vacinação anual uma das principais ferramentas de prevenção.
Doença pulmonar obstrutiva crônica
A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) em equinos é uma condição respiratória que afeta principalmente cavalos atletas. É semelhante à asma em humanos e pode evoluir de forma silenciosa nos casos leves.
A condição compromete o sistema respiratório, causando tosse frequente e queda no desempenho físico do animal e, embora seja mais comum em animais a partir dos cinco anos, pode surgir em cavalos jovens expostos a ambientes inadequados, como cocheiras mal ventiladas ou com excesso de poeira.
O diagnóstico é feito por um exame clínico e a avaliação específica do trato respiratório. Exames como o lavado traqueal e a lavagem broncoalveolar identificam o grau de inflamação e as alterações das vias aéreas, sendo fundamentais para confirmar a doença.
Garrotilho
Popularmente chamada de garrotilho, a doença é conhecida também como adenite infecciosa equina. A enfermidade bacteriana é altamente contagiosa e compromete o trato respiratório superior dos cavalos, podendo afetar animais de qualquer idade, embora seja mais frequente em cavalos entre um e cinco anos.
A transmissão acontece principalmente pelo contato direto com secreções respiratórias de animais infectados, mas também pode ocorrer de forma indireta, por meio de água, alimentos, equipamentos e instalações contaminados. Entre os sinais clínicos mais comuns estão febre, secreção nasal espessa, tosse, perda de apetite, dificuldade para respirar e aumento doloroso dos linfonodos da região submandibular e retrofaríngea, que podem evoluir para abscessos.
O diagnóstico é confirmado por exames laboratoriais, como cultura bacteriana e testes de PCR.
Como identificar os sinais de alerta?
Conforme apresentamos as principais infecções respiratórias em equinos, nota-se que os sintomas variam conforme o agente causador, mas alguns são comuns entre elas, como:
- Tosse persistente ou seca;
- Secreção nasal clara a espessa;
- Febre e apatia;
- Dificuldade respiratória e intolerância a exercícios.
É importante observar mudanças no comportamento do animal, perda de apetite ou nódulos linfáticos aumentados, uma vez que podem indicar garrotilho ou outras infecções bacterianas. Além disso, recomenda-se consultar um médico-veterinário já nos primeiros sinais, pois diagnósticos precoces reduzem custos e riscos à saúde do animal.
Como funciona o tratamento das infecções respiratórias em equinos?
O tratamento adequado para infecções respiratórias em equinos depende da causa e da gravidade do quadro. Infecções bacterianas podem requerer antibióticos específicos, enquanto as virais exigem manejo de suporte e descanso.
O uso de qualquer medicamento deve sempre seguir a orientação veterinária, respeitando a dose e a duração do tratamento para evitar resistência bacteriana e garantir uma recuperação completa.
Qual é o melhor protocolo de prevenção?
Prevenir as infecções respiratórias em equinos é essencial para garantir a saúde e o desempenho dos animais. As melhores formas para tal são:
- Manter ambientes limpos, arejados e com baixa concentração de poeira;
- Realizar a vacinação regular contra influenza e herpesvírus conforme o calendário sanitário;
- Evitar o contato entre animais doentes e sadios;
- Monitorar a temperatura e os sinais clínicos dos animais rotineiramente.
Somado a isso, treinar e conscientizar a equipe de manejo para detectar os primeiros sinais e aplicar medidas rápidas de biossegurança pode reduzir drasticamente a ocorrência de surtos.
Fontes:


