Por mais que os sintomas sejam variados nos pets, sinais como febre, apatia, falta de apetite e problemas relacionados às plaquetas merecem atenção
Os sintomas de anaplasmose nem sempre aparecem de forma clara. Em alguns pets, a infecção causa apenas alterações discretas; já em outros, provoca febre, fraqueza, dores articulares e alterações no sangue.
Por isso, perceber mudanças no comportamento do animal e procurar atendimento veterinário faz toda a diferença.
A anaplasmose é uma doença provocada por bactérias do gênero Anaplasma, geralmente associada à transmissão por carrapatos. No Brasil, estudos já identificaram diferentes espécies de Anaplasma em cães. Em uma pesquisa realizada no Paraná, por exemplo, a Anaplasma platys foi detectada por PCR em 32,9% de 182 cães não domiciliados avaliados.
O que é anaplasmose e como é transmitida entre os animais?
A anaplasmose é uma hemoparasitose, ou seja, uma infecção capaz de afetar componentes do sangue. Entre as espécies que mais merecem atenção na veterinária está a Anaplasma platys, ligada principalmente à anaplasmose trombocítica canina, que pode provocar queda no número de plaquetas.
A transmissão está relacionada principalmente à picada de carrapatos infectados. No Brasil, já identificaram, inclusive, Anaplasma em cães de áreas urbanas.
O controle de carrapatos é uma parte importante da prevenção. Mesmo quando o tutor não encontra um carrapato no corpo do pet, não dá para descartar completamente a possibilidade de exposição anterior.
Sintomas de anaplasmose em cães e gatos
Os sintomas de anaplasmose dependem da espécie de Anaplasma, da resposta do organismo e da existência de outras infecções ao mesmo tempo. É por isso que o quadro pode ser confundido com outras doenças transmitidas por carrapatos.
Porém, alterações no hemograma ajudam a levantar a suspeita. Em cães infectados por A. platys, estudos já observaram alterações como trombocitopenia (redução das plaquetas), além de anemia e mudanças nos glóbulos brancos.
Sintomas em cães
Os sintomas de anaplasmose em cães normalmente surgem de maneiras diferentes em cada espécie: sinais como febre, desânimo, falta de apetite, dor nas articulações e sangramentos, assim como em seres humanos, indicam que algo não está bem.
É importante lembrar que esses sinais, por si só, não confirmam anaplasmose. Outras doenças transmitidas por carrapatos provocam sintomas parecidos, então o diagnóstico precisa ser feito pelo médico-veterinário.
Febre alta e repentina
A febre pode aparecer de forma repentina e ser acompanhada por um comportamento mais quieto. O cachorro tende a ficar menos interessado em brincar, caminhar ou interagir com a família.
Letargia, cansaço extremo e fraqueza
A letargia é outro sinal que pode chamar bastante atenção: o cão demonstra falta de energia, passa mais tempo deitado e talvez demonstre pouco interesse por atividades que normalmente fazem parte da rotina.
Essa fraqueza pode estar relacionada à própria infecção e às alterações hematológicas provocadas pela doença.
Perda de apetite e de peso
A falta de apetite também é parte dos sintomas de anaplasmose em cães: o pet pode simplesmente deixar a comida de lado ou comer muito menos do que o habitual.
Quando essa redução do apetite permanece por vários dias, a tendência é que o animal perca peso e fique ainda mais debilitado. É importante, em vez de tentar estimular a alimentação por conta própria, investigar a origem do problema.
Claudicação (mancar) e dor severa nas articulações, dificultando a locomoção
Alguns cães com anaplasmose têm dor e inflamação nas articulações, caminhando de maneira diferente e até mesmo evitando se movimentar. A claudicação pode aparecer em uma ou mais patas e variar de intensidade.
Distúrbios hemorrágicos (pontinhos vermelhos na barriga/mucosas, sangramentos nasais ou gengivais) devido à queda de plaquetas
A queda das plaquetas, chamada trombocitopenia, é uma alteração importante ligada principalmente à infecção por Anaplasma platys. Em situações mais intensas, surgem pequenos pontos avermelhados na pele ou mucosas, conhecidos como petéquias, além de sangramentos.
Sangramento nasal, gengival ou aparecimento de manchas sem uma causa aparente são sinais que não devem ser ignorados.
Sintomas em gatos
Os sintomas de anaplasmose em gatos também costumam ser pouco específicos: o animal pode simplesmente ficar mais quieto, esconder-se, perder o interesse pela comida ou apresentar alterações que são notadas somente durante um exame clínico ou de sangue.
Como gatos costumam esconder sinais de doença, pequenas mudanças na rotina podem ser importantes para notar a presença de algum problema. Um felino que sempre foi ativo e passa a dormir muito mais, por exemplo, merece ser observado com cuidado.
Letargia (apatia)
A apatia leva o gato a ficar mais quieto, dormir por mais tempo e interagir menos com pessoas ou outros animais. Às vezes, o tutor percebe apenas que o pet não está sendo “ele mesmo”.
Esse tipo de mudança não deve ser considerado apenas como preguiça. Quando persiste ou aparece junto com febre, falta de apetite ou mucosas alteradas, é importante buscar uma avaliação profissional.
Anorexia (recusa alimentar)
A anorexia, ou recusa alimentar, é mais um sinal que merece atenção nos gatos. Diferentemente de uma simples redução repentina do apetite, o animal pode passar a rejeitar completamente a comida.
A falta de alimentação prolongada leva a consequências importantes para a saúde felina.
Desidratação
Quando o animal não está bebendo água o suficiente, a desidratação ocorre, principalmente se ele estiver com febre, sem apetite ou apresentando outros problemas de saúde.
O tutor pode até perceber alterações no comportamento, fraqueza e redução da ingestão de água, mas a confirmação da desidratação deve ser feita pelo profissional.
Mucosas pálidas (indicando anemia)
Gengivas e outras mucosas mais pálidas são indícios de anemia ou alterações na circulação. Esse sinal é bastante importante quando aparece acompanhado de fraqueza e falta de apetite.
Mesmo assim, a cor das mucosas não é suficiente para a confirmação da anaplasmose. O hemograma é importante para verificar a quantidade de glóbulos vermelhos, plaquetas e outras células sanguíneas.
Linfadenomegalia (gânglios linfáticos inchados)
O aumento dos linfonodos, também chamados de gânglios linfáticos, normalmente ocorre como resposta do organismo a processos infecciosos ou inflamatórios.
Como diversas doenças provocam linfadenomegalia, esse achado precisa ser interpretado junto com o histórico, exame físico e resultados laboratoriais do gato.
Febre
O quadro de febre também surge entre os sintomas de anaplasmose em gatos, embora ela não seja exclusiva dessa doença. Em felinos, alterações de comportamento associadas à temperatura elevada podem ser um dos primeiros sinais percebidos pelo tutor.
Porém, se o gato estiver muito quieto, recusando alimento e apresentando suspeita de febre, é de extrema importância evitar medicamentos humanos.
Como diagnosticar a anaplasmose em cães e gatos?
A partir de uma conversa detalhada e de um exame físico, o veterinário inicia o processo de diagnóstico, podendo também perguntar sobre contato com carrapatos, histórico de doenças, alterações recentes no comportamento e evolução dos sinais clínicos.
Depois, provavelmente são solicitados exames de sangue, testes sorológicos e métodos moleculares, como o PCR. No caso de A. platys, utiliza-se o PCR para identificar o material genético da bactéria, o que reforça a importância dos exames laboratoriais na investigação.
Um ponto importante é que um exame isolado nem sempre é capaz de fechar um diagnóstico. A presença de anticorpos pode indicar contato com o agente, mas precisa ser interpretada junto aos sinais clínicos e demais resultados.
Assim, conclui-se que o diagnóstico deve considerar o conjunto de informações do animal.
Tratamento da anaplasmose em cães e gatos
O tratamento é realizado de acordo com a espécie envolvida na doença, a intensidade dos sinais, as alterações no sangue e a possibilidade de coinfecção com outros agentes transmitidos por carrapatos. Normalmente, antibióticos são utilizados (sob prescrição veterinária), além de medidas de suporte quando necessárias.
Antibiótico Chemitril® comprimidos para cães e gatos
Fabricado com 50 mg e 150 mg, o antibiótico Chemitril® comprimidos possui enrofloxacino e é utilizado contra determinadas infecções bacterianas em animais, precisando ser administrado somente com indicação do médico-veterinário. Esses medicamentos têm a capacidade de eliminar bactérias patogênicas ou impedir seu crescimento, o que pode prevenir complicações graves e até mesmo salvar vidas.
Entretanto, é importante fazer uma ressalva: o Chemitril® não deve ser encarado como tratamento automático para anaplasmose. A escolha do antibiótico depende do agente envolvido, do diagnóstico e das condições do animal. Em situações específicas, o veterinário pode considerar o medicamento quando houver indicação para bactérias sensíveis ao enrofloxacino ou outras infecções associadas.
Antibiótico Doxy-Top® para cães e gatos
O Doxy-Top® é outro medicamento que faz parte do portfólio de antibióticos da Chemitec voltados à medicina veterinária. O Doxy-Top® é um antimicrobiano à base de doxiciclina, pertencente à classe das tetraciclinas, com um mecanismo de ação que impede bactérias sensíveis de continuarem se multiplicando.
Quando existe suspeita ou confirmação de uma doença transmitida por carrapatos, a escolha de um antibiótico à base de doxiciclina pode fazer parte da conduta veterinária, dependendo do caso. A doxiciclina é uma opção frequentemente utilizada para anaplasmose, mas não deve ser administrada por conta própria, apenas sob prescrição veterinária.
Qual é a probabilidade de cura da anaplasmose em cães e gatos?
A cura da anaplasmose costuma apresentar excelente resposta clínica, principalmente quando o animal recebe atendimento antes que as alterações sanguíneas ou sistêmicas se agravem. Isso evidencia a importância de uma avaliação profissional de urgência, pois a evolução varia de acordo com o agente, o estado geral do pet e a presença de outras infecções.
Por isso, não é correto falar em uma porcentagem única de cura para todos os cães e gatos. Estudos mostram que a infecção pode apresentar diferentes manifestações e que coinfecções são possíveis.
Além do tratamento, o acompanhamento também é importante, já que o veterinário pode repetir o hemograma e outros exames para verificar se as plaquetas, as células sanguíneas e demais parâmetros estão voltando ao normal.
Sinais de alerta para procurar um médico-veterinário
Saber reconhecer os sintomas de anaplasmose ajuda o tutor a perceber mudanças mais cedo, mesmo entendendo que qualquer suspeita deve ser investigada por um veterinário. Febre, prostração, falta de apetite e alterações nas mucosas são motivos para observar o animal com atenção.
Alguns sinais pedem ainda mais rapidez, principalmente quando podem indicar alterações importantes no sangue ou no estado geral do pet, como:
- Sangramentos pelo nariz ou gengiva;
- Pontinhos vermelhos ou manchas que surgem na pele sem explicação;
- Fraqueza intensa ou dificuldade para ficar em pé;
- Recusa persistente em se alimentar;
- Febre associada à apatia;
- Mucosas muito pálidas;
- Desidratação ou piora rápida do estado geral de saúde.
Nessas situações, não há como esperar os sinais desaparecerem sozinhos. O diagnóstico precoce com certeza pode facilitar a escolha do tratamento e evitar que uma possível doença transmitida por carrapatos evolua para um quadro mais complicado.
Os sintomas de anaplasmose em cães e gatos podem ser bastante variados e até ser confundidos com outras doenças. Por isso, a combinação entre avaliação clínica, exames laboratoriais e histórico de exposição a carrapatos é essencial para chegar a um diagnóstico mais preciso.
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Fontes:
- Chemitec
- SciELO
- PubMed
- American Kennel Club (AKC)


