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cachorro buldogue deitado
Imagem: Shutterstock

Cuidados simples e essenciais no dia a dia geram mais qualidade de vida para cães de raças caracterizadas pelo focinho achatado

De aparência única e comportamento extremamente dócil, os cães braquicefálicos conquistam cada vez mais espaço nos lares brasileiros. Raças como pug, bulldog francês e shih tzu são os exemplos mais famosos desse grupo, conhecido pelo focinho curto e achatado.

Porém, essa característica também exige atenção redobrada com a saúde: cães braquicefálicos têm maior predisposição a problemas respiratórios, dificuldade de regular a temperatura corporal e até alterações de pele.

O que são cães braquicefálicos?

Os cães braquicefálicos são aqueles que possuem o crânio mais curto e o focinho achatado, resultado de seleções genéticas ao longo do tempo. Essa característica marcante dá origem ao termo “braquicefalia”, que significa literalmente “cabeça curta”.

Entre as raças mais conhecidas de cães braquicefálicos estão: pug, bulldog, boxer, shih tzu e pequinês. Inclusive, segundo a Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC), em 2025 a raça shih tzu liderou o ranking nacional de cães mais populares, representando 15,7% de todos os registros.

Apesar da aparência considerada fofa, essa anatomia, infelizmente, pode comprometer a passagem de ar pelas vias respiratórias, tornando a respiração mais difícil. Essa limitação faz com que os cães braquicefálicos tenham mais dificuldade para realizar atividades físicas e sejam mais sensíveis ao calor, o que exige cuidados específicos.

Principais cuidados com cães braquicefálicos

Cuidar de cães braquicefálicos requer atenção constante à respiração, temperatura, alimentação e higiene. Somado a isso, o acompanhamento veterinário regular é fundamental para prevenir e identificar precocemente possíveis complicações, uma vez que os cães braquicefálicos exigem um manejo mais cuidadoso justamente por conta de suas particularidades anatômicas.

Controle rigoroso da temperatura corporal

Eles têm mais dificuldade para eliminar o calor, já que a troca térmica ocorre principalmente via respiração. Como a função é comprometida, os cães braquicefálicos ficam mais expostos à hipertermia (aumento exponencial da temperatura corporal).

Assim, é fundamental proporcionar um ambiente fresco ao pet, oferecendo água à vontade e evitando exposição ao sol nos horários mais quentes. Em dias de temperatura bastante elevada, o uso de ventilação ou ambientes climatizados colaboram com a manutenção do conforto do animal.

Cuidado atencioso com a respiração do cão

A respiração é um dos pontos mais críticos: é muito importante observar sinais como respiração ofegante, chiados ou cansaço excessivo, fatores que normalmente indicam dificuldades respiratórias. Além disso, evitar ambientes com poeira, fumaça ou produtos químicos ajuda a reduzir irritações nas vias aéreas.

Não utilize coleiras de pescoço ou enforcadores

O uso de coleiras tradicionais pode pressionar ainda mais a região do pescoço e comprometer a respiração do animal. O ideal é optar por peitorais, objetos que distribuem melhor a força durante os passeios.

Essa simples troca reduz o risco de crises respiratórias e dá mais conforto ao animal, principalmente em atividades ao ar livre.

Higienize as dobrinhas da pele

A higiene das dobrinhas da pele é outro cuidado essencial quando o assunto são cães braquicefálicos, especialmente na região do rosto. Essas áreas acumulam umidade e bastante sujeira, o que abre portas para infecções e dermatites.

Assim, a limpeza deve ser feita regularmente com produtos adequados, sempre mantendo a pele do pet seca após a higienização.

Mantenha uma dieta equilibrada

A alimentação adequada mantém a saúde dos cães braquicefálicos, isso porque eles têm tendência ao sobrepeso. Ou seja, o excesso de gordura corporal agrava ainda mais as dificuldades respiratórias.

Uma dieta equilibrada — de preferência, indicada por um médico-veterinário — ajuda a manter o peso ideal e contribui para o bom funcionamento do organismo do pet.

Por que o calor é prejudicial para cães braquicefálicos?

O calor é um dos principais inimigos dos cães braquicefálicos por eles terem dificuldade para respirar e não conseguirem eliminar a temperatura de forma eficiente, o que aumenta o risco de superaquecimento.

Essa limitação pode resultar em quadros graves, como desidratação, desmaios e até convulsões em situações extremas. Por isso, é importante realizar passeios apenas em horários mais frescos, como início da manhã ou final da tarde.

Cães braquicefálicos também podem apresentar sinais de desconforto térmico rapidamente, como língua muito exposta, respiração acelerada e apatia.

Ao notar qualquer alteração, é fundamental agir rapidamente e buscar orientação veterinária.

Cães braquicefálicos podem viajar de avião?

Viajar de avião pode ser um risco para cães braquicefálicos, principalmente se transportados no compartimento de carga, visto que condições de temperatura e ventilação podem agravar problemas respiratórios. Por esse motivo, muitas companhias aéreas possuem restrições para o transporte de cães braquicefálicos ou exigem cuidados especiais. Antes de viajar, é essencial verificar as regras da companhia e consultar um veterinário.

Sempre que possível, o ideal é que o animal viaje na cabine, em ambiente mais controlado. O planejamento adequado é fundamental para garantir a segurança e o bem-estar dos cães braquicefálicos durante o trajeto.

 

Fontes:

Chemitec

Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC)

Manual MSD