Entenda as principais causas, sintomas, tratamentos e estratégias de prevenção desse problema que pode comprometer a saúde e a produtividade do rebanho
A artrite em suínos é uma doença inflamatória que atinge as articulações e pode aparecer em diferentes fases da vida dos animais — com mais frequência em lactantes e leitões em fase de crescimento. Por ter uma ampla gama de causas e consequências, essa condição requer atenção especial principalmente no manejo sanitário da granja. Além de causar dor e desconforto, a artrite em suínos pode comprometer o crescimento e o ganho de peso dos animais, e, em casos mais agudos, até mesmo levar à morte deles.
O que é artrite em suínos?
A artrite em suínos ocorre quando há inflamação de uma ou mais articulações. A condição pode aparecer a partir de uma infecção ou de fatores não infecciosos, como, por exemplo, trauma ou sobrecarga.
A artrite em suínos é um tanto comum e pode afetar leitões recém-nascidos, porcos em crescimento e matrizes, com impacto significativo no desempenho e, consequentemente, na qualidade sanitária do rebanho.
As causas da artrite em suínos são variadas, por isso vamos explorar os dois principais tipos dessa condição:
Artrite infecciosa (bacteriana)
A forma bacteriana é a mais comum e tem relação direta com a presença de microrganismos que invadem a articulação, geralmente após terem acesso à corrente sanguínea (septicemia) ou por lesões locais na pele.
Os agentes principais incluem bactérias como Streptococcus suis, Staphylococcus, Escherichia coli, Actinobacillus parasuis e Mycoplasma hyosynoviae, e muitos fatores facilitam essa infecção bacteriana em suínos, como:
- Traumas nas articulações dos leitões, por exemplo, devido a pisos ásperos ou escoriações;
- Práticas de higiene precárias, especialmente em maternidade ou creche, com desinfecção inadequada de instrumentos;
- Cortes de umbigo ou de cauda sem assepsia, que deixam portas de entrada para bactérias.
Quando essas bactérias atingem as articulações, podem provocar sinovite, acúmulo de líquido inflamatório (exsudato) e até pus, o que resulta em dor, inchaço e limitação de movimento nos porcos.
Artrite não infecciosa (não séptica)
A artrite em suínos também tem sua origem não infecciosa. Aqui, as causas frequentemente envolvem trauma, machucados, irritação mecânica ou sobrecarga de peso. Por exemplo: pisos irregulares, muito duros ou mal projetados podem causar lesões repetitivas nas articulações dos leitões, ocasionando inflamação simples ou sinovite sem contaminação bacteriana.
Por mais que a artrite não infecciosa não envolva agentes patógenos, ela ainda tem a capacidade de causar dor, rigidez, dificuldades de locomoção e perda de desempenho nos suínos, o que exige um manejo cuidadoso para reverter ou minimizar seus impactos.
Sintomas e sinais da artrite em suínos
Entender precocemente a artrite em suínos é essencial para reduzir os efeitos do problema. Os sinais podem variar de acordo com a gravidade, a causa (infecciosa ou não), a articulação afetada e a idade do animal.
Nos leitões, a artrite costuma causar:
- Rigidez nas articulações e passadas mancas;
- Relutância para se levantar ou se deitar, o que pode indicar dor nas juntas;
- Edema (inchaço) visível nas articulações;
- Em casos infecciosos severos, pode haver exsudato purulento (com acúmulo de pus) nas articulações e até febre.
Já em porcos mais velhos ou em crescimento, a artrite costuma causar:
- Dificuldade para se levantar ou relutância para se movimentar;
- Perda de apetite ou desaceleração no ganho de peso;
- Articulações visivelmente aumentadas em volume, podendo apresentar sensibilidade ao toque e febre;
- Quando rebanhos são infectados, pode haver complicações secundárias como pneumonia, onfalite (infecção no umbigo) ou até endocardite.
Tratamento da artrite em suínos
Tratar corretamente a artrite em suínos depende da causa do problema. Quando infecciosa, é fundamental identificar o agente patogênico e usar antibióticos apropriados, sempre recomendados pelo médico-veterinário.
Além de antibióticos, o uso de anti-inflamatórios pode ser fundamental para aliviar a dor e a inflamação das articulações. Aqui indicamos o Déxium® Solução Injetável, um anti-inflamatório fabricado pela Chemitec que contém dexametasona, um corticosteroide de ação rápida e potente.
A dose para suínos é de 0,5 ml para cada 10 kg de peso vivo, por via intramuscular, durante três dias consecutivos. O medicamento ajuda a reduzir o inchaço, amenizar a dor e melhorar a mobilidade do animal, proporcionando alívio enquanto os antibióticos combatem a infecção.
Entretanto, é importante destacar que os corticoides podem ter efeitos colaterais, especialmente se usados por tempo prolongado. Sendo assim, o uso do Déxium® deve sempre ocorrer sob a supervisão de um médico-veterinário.
Como prevenir a artrite nos porcos?
A prevenção é sempre a maneira mais eficaz e econômica de fazer com que a artrite em suínos não seja um problema. As medidas de prevenção envolvem boas práticas de cuidado no manejo dos animais, incluindo higiene e boa infraestrutura.
Algumas práticas importantes incluem:
- Manter os ambientes de maternidade desinfetados e limpos;
- Esterilizar instrumentos usados em leitões, como alicates de corte de dentes ou para cauda, entre os usos;
- Evitar pisos muito ásperos ou danificados;
- Garantir que cortes de dentes, umbigo ou cauda sejam feitos com ferramentas limpas e desinfetadas, preferencialmente com cauterização quando indicada;
- Manter períodos de vazio sanitário entre lotes e monitorar a densidade de animais para reduzir o contato e a contaminação;
- Observar continuamente os animais desde cedo para detectar sinais de claudicação, inchaço nas articulações ou relutância para se movimentar.
Seguindo essas indicações, a incidência de artrite em suínos pode ser significativamente reduzida.
Fontes:



