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Vaca deitada em pasto ao redor de outros bovinos
Imagem: Envato

O berne, também conhecido como dermatobiose, causa prejuízos para a pecuária — mas um bom protocolo de controle pode proteger o seu rebanho

O berne em bovinos, doença parasitária considerada um problema significativo para a pecuária, especialmente em regiões tropicais e subtropicais, é causado pela larva da mosca Dermatobia hominis.

Essa doença tem capacidade de afetar profundamente o bem-estar e a produtividade dos animais, impactando diretamente seu ganho de peso, a produção de leite e a qualidade do couro. Quando não controlado, o berne em bovinos causa dor e desconforto, além de perdas econômicas.

Como o berne em bovinos se desenvolve?

A mosca adulta da Dermatobia hominis não coloca os ovos diretamente nos bovinos. Pelo contrário, ela captura outras moscas (conhecidas como vetores foréticos) e fixa seus ovos no corpo delas. Quando esses vetores pousam no animal, as larvas (estágio L1) desabrocham e se penetram na pele do bovino, iniciando a infestação.

Uma vez penetrada, a larva se desenvolve por cerca de 50 a 53 dias no tecido subcutâneo do bovino, passando pelos estágios L1, L2 e L3. Ao atingir um estágio de maturidade, a larva, de aproximadamente 2,5 cm, deixa o nódulo e cai ao solo, transformando-se em pupa. Entre 22 e 67 dias, emerge a mosca adulta e o ciclo recomeça.

É importante destacar que o berne em bovinos não requer ferida prévia para infecção, uma vez que a penetração da larva ocorre diretamente na pele íntegra.

Sintomas e sinais clínicos de berne em bovinos

Os sinais de infestação por berne em bovinos são variados, ocorrendo conforme o grau de infestação e a fase de larva. Nos estágios iniciais, dá para observar pequenos nódulos sob a pele do animal, geralmente nas regiões do pescoço, dorso, flancos, membros anteriores ou barbela.

À medida que a larva evolui, esses nódulos podem aumentar até 3 cm de diâmetro e apresentar inflamação, pus ou exsudato, fatores que sinalizam reação inflamatória local.

Em infestações mais graves, os animais podem apresentar dor, irritação, coceira, inquietação, debilidade, além de propensão a infecções secundárias, inclusive bicheiras. Além disso, o desconforto e o estresse provocados pelas larvas comprometem o bem-estar dos bovinos, o que pode levar à redução da ingestão de alimento, fraqueza e, consequentemente, perda de peso.

O berne causa prejuízo na criação dos bovinos?

O berne em bovinos é um problema sério para a pecuária, principalmente financeiro. Infestações no rebanho resultam em perdas econômicas expressivas, tanto pela diminuição da produtividade quanto pela perda de valor do couro, da seguinte maneira:

  • Animais com 20 a 40 bernes podem perder entre 9% e 14% do peso corporal;
  • Peles com 10 a 20 perfurações em regiões nobres podem apresentar desvalorização de 30% a 40%.

Somado aos prejuízos diretos no ganho de peso dos animais e na qualidade do couro, ainda existem consequências indiretas, como queda na produção de leite, maior gasto com tratamentos, manejo especial, redução da sanidade do rebanho e até risco de infecções secundárias.

Controle e tratamento do berne em bovinos

Para o controle do berne em bovinos, é fundamental entender que não basta agir apenas sobre os animais infestados. Surge a necessidade de controlar os vetores que transportam os ovos e adotar práticas de manejo sanitário.

As estratégias mais eficazes incluem:

  • Utilização de ectoparasiticidas de contato ou de ação sistêmica, que atuem contra moscas vetores e larvas estabelecidas;
  • Associação com endectocidas injetáveis ou sistêmicos em conjunto ou alternância com produtos tópicos;
  • Realização do tratamento estratégico antes e no início do período de maior incidência de moscas, o que ocorre normalmente em épocas mais quentes ou no início da estação chuvosa.

É altamente indicada a avaliação do rebanho junto a um médico-veterinário para um protocolo de controle que combine produtos de ação por contato e sistêmica. Isso ajuda a garantir eficácia no combate ao berne em bovinos em todas as fases de larva, além de prevenir novas infestações via moscas vetores.

O tratamento também precisa ser feito no ambiente da propriedade, a partir da eliminação de larvas caídas no solo, da higiene adequada e da redução do número de moscas vetores presentes.

Prevenção do berne: bloqueando o ciclo de vida da mosca

Prevenir o berne em bovinos é muito mais econômico e eficiente do que tratar infestações já iniciadas. Para isso, algumas medidas de manejo e prevenção são indispensáveis, como:

  • Controle integrado de moscas vetores;
  • Higiene da propriedade e manejo de resíduos;
  • Rotina de vermifugação e ectoparasiticidas estratégicos;
  • Manejo sanitário e nutricional dos animais.

Adotar essas medidas, de forma conjunta, ajuda a quebrar o ciclo de vida da mosca causadora do berne, reduzindo drasticamente o risco de infestação no rebanho.

O que acontece se o berne não for retirado?

Caso o berne em bovinos não seja tratado, as consequências podem ser graves. No começo, os animais sofrem com dor, irritação, coceira e estresse, comprometendo a ingestão de alimentos, resultando em perda de peso e afetando seu bem-estar.

Com o tempo, as lesões provocadas pelas larvas podem piorar, com inflamações persistentes, infecções secundárias, formação de pus e até bicheiras. Essas infecções aumentam o risco de complicações graves, podendo levar à necessidade de tratamentos mais intensivos, à perda de animais e a prejuízos elevados.

O berne em bovinos é uma ameaça real e persistente à saúde e à produtividade do rebanho, mas pode ser controlado com um protocolo bem-planejado.

 

Fontes:

Chemitec

Fundação Roge