Fale conosco pelo WhatsApp
cinco porcos em granja
Imagem: Envato

Conheça as principais características de uma das doenças mais comuns nos plantéis suínos

A doença de Glässer é uma das patologias de origem bacteriana mais impactantes para a suinocultura moderna, principalmente por causa de sua capacidade de comprometer a saúde de leitões em crescimento, o que, por consequência, pode gerar alto impacto econômico.

A doença, que afeta principalmente leitões com 4 a 8 semanas de vida, é caracterizada por processos inflamatórios severos em áreas como pericárdio, pleura, articulações e, em casos mais graves, as meninges.

O tratamento adequado depende de um diagnóstico rápido e do uso correto de antibióticos, que deve ser feito sempre com a correta indicação, orientação e acompanhamento de um médico veterinário. Saiba mais no conteúdo a seguir.

Doença de Glässer em suínos: quais são as causas?

A doença de Glässer é causada pela bactéria Glaesserella parasuis, que inicialmente coloniza o sistema respiratório dos suínos sem causar problemas aparentes, mas, por diversos fatores, como estresse, queda de imunidade ou outras infecções, passa a se multiplicar de forma sistêmica, desencadeando o quadro clínico.

Condições ambientais, como alterações bruscas de temperatura, má ventilação, superlotação e falhas no manejo, podem desencadear o desequilíbrio da microbiota, favorecendo a multiplicação bacteriana e aumentando o risco de surtos de doença de Glässer.

Como a doença é transmitida?

O principal meio de transmissão da doença de Glässer é o contato direto entre os animais, especialmente por meio de secreções nasais e gotículas expelidas na respiração. Leitões recém-desmamados são especialmente mais suscetíveis, pois passam por estresse, alteração de ambiente e convívio com animais de diferentes origens.

Além da transmissão direta, o contato com superfícies contaminadas e aerossóis, especialmente em ambientes fechados e com pouca ventilação, também pode disseminar a bactéria.

Outro mecanismo comum de transmissão da doença de Glässer é a chamada transmissão vertical de mãe para filhote. Isso ocorre porque, mesmo sem apresentarem sinais clínicos, as matrizes podem expor os leitões à bactéria nas primeiras semanas de vida.

Sintomas da doença de Glässer em suínos

Os sintomas da doença de Glässer podem variar significativamente conforme a idade do suíno, seu estado imunológico e o nível de impacto da cepa da bactéria. Em geral, o início dos sintomas é rápido, quando a doença se apresenta de forma aguda, e, entre os mais comuns, destacam-se:

  • Febre alta e apatia;
  • Dificuldade respiratória;
  • Claudicação, dor articular e dificuldade para se movimentar;
  • Tremores ou outros sinais neurológicos;
  • Perda de apetite e emagrecimento acelerado.

A forma mais grave da doença de Glässer pode evoluir para meningite e provocar a morte súbita de animais aparentemente saudáveis. Além disso, a polisserosite, caracterizada pela inflamação simultânea de diversas serosas, é uma característica marcante, resultando em dor abdominal, rigidez e desconforto generalizado.

Impactos e consequências da doença de Glässer nos suínos

Os impactos da doença de Glässer vão muito além dos sinais clínicos, uma vez que a doença pode levar a um menor ganho de peso e ao consequente atraso no desenvolvimento dos leitões afetados.

A mortalidade também pode ser significativa, especialmente quando os surtos são agudos. Mesmo quando os animais sobrevivem, as lesões inflamatórias podem deixar sequelas duradouras, dificultando o crescimento adequado dos animais e comprometendo seu potencial produtivo.

Entre outras consequências que a doença de Glässer pode causar, do ponto de vista econômico, podemos mencionar:

  • Aumento dos custos com medicamentos;
  • Perdas por morte de animais jovens;
  • Queda na eficiência alimentar dos animais;
  • Redução no índice de conversão de peso;
  • Desuniformidade dos lotes, prejudicando o planejamento de venda e abate.

Além disso, a ocorrência de surtos frequentes pode indicar falhas no manejo, na biossegurança ou na imunidade do plantel, o que exige a realização de avaliações mais profundas para evitar novas ocorrências.

Tratamento e controle da doença de Glässer

O tratamento da doença de Glässer deve sempre ser orientado por um médico-veterinário, que deve realizar o diagnóstico e indicar a terapia adequada. Como mencionado anteriormente, o diagnóstico precoce é essencial para evitar a evolução do quadro e a mortalidade dos animais.

A Chemitec oferece antibióticos para suínos amplamente utilizados no controle de enfermidades bacterianas, incluindo quadros associados à doença de Glässer.

Entre eles, o produto comumente empregado é o Chemitril® Injetável, baseado no enrofloxacino, um princípio ativo que apresenta excelente ação contra bactérias gram-positivas e gram-negativas, como a causadora da doença de Glässer. Seu uso correto deve seguir sempre a prescrição veterinária, garantindo eficácia e segurança.

Além do uso de antibióticos, outras medidas são essenciais para o controle da doença, tais como o manejo adequado da temperatura das instalações, redução do estresse, boa ventilação e isolamento de animais doentes. Em casos mais graves, o uso complementar de anti-inflamatórios pode ser necessário para aliviar sintomas.

Como prevenir a doença de Glässer em suínos?

A prevenção da doença de Glässer envolve a adoção de boas práticas de manejo, biossegurança e manutenção sanitária. O primeiro passo, nesse sentido, é garantir que o ambiente esteja limpo, bem ventilado e com temperatura adequada.

Programas de vacinação também podem contribuir para aumentar a imunidade dos leitões e reduzir a severidade dos surtos. Nesse contexto, é importante que as granjas mantenham protocolos de vacinação atualizados, considerando o histórico das cepas bacterianas presentes em cada plantel.

Outras medidas essenciais incluem:

  • Redução da mistura de leitões de origens diferentes;
  • Limpeza e desinfecção rigorosa das instalações;
  • Controle de ventilação e umidade;
  • Planejamento nutricional adequado;
  • Monitoramento constante da saúde das matrizes.

Combinando essas práticas, é possível reduzir de forma significativa o risco de surtos de doenças e garantir um desempenho mais uniforme dos animais, preservando a saúde e o bem-estar do plantel.

 

Fontes:

Chemitec

Universidade Federal de Santa Maria

Embrapa