A enfermidade causa danos à saúde física do animal, além de degradação no couro por conta das lesões na pele, mas é possível tratá-la, principalmente com o uso de ivermectina
A sarna em bovinos é uma doença dermatológica bastante presente na pecuária, gerando enorme desconforto aos animais e prejuízos econômicos importantes devido à queda no seu ganho de peso, redução da produção leiteira e desvalorização do couro.
Trata-se de uma enfermidade provocada por ácaros escavadores microscópicos que se alojam na pele dos animais, começando pela cabeça, pescoço e ombros, e podendo se espalhar para outras partes do corpo, que pode ser totalmente afetado em até 6 semanas.
Indo além do impacto produtivo, a sarna bovina apresenta alta capacidade de disseminação, principalmente em sistemas de criação com maior densidade animal ou manejo sanitário inadequado.
O que causa a sarna em bovinos?
A contaminação ocorre através do contato com espécies de ácaros parasitas, como Sarcoptes, Psoroptes e Chorioptes. Eles vivem na superfície ou no interior da pele dos animais e se alimentam de secreções cutâneas, células da pele e, em alguns casos, sangue, provocando inflamação intensa e coceira.
A transmissão acontece principalmente via contato direto entre animais infectados e sadios, mas também pode ocorrer por meio de instalações, equipamentos e objetos contaminados. Inclusive, os ácaros têm a capacidade de sobreviver fora do hospedeiro, o que torna a infestação uma preocupação ainda maior.
Algumas situações, como estresse, baixa imunidade, má nutrição e períodos frios, favorecem o desenvolvimento da doença. No caso do frio, a disseminação dos ácaros acaba sendo facilitada porque os animais permanecem mais agrupados.
Sarna psoróptica (sarna de corpo)
A sarna psoróptica é oriunda dos ácaros do gênero Psoroptes, que permanecem na superfície da pele e acometem principalmente bovinos de corte. Esse tipo de sarna em bovinos costuma atingir regiões como pescoço, dorso e flancos, provocando lesões extensas e formação de crostas.
Os animais apresentam coceira intensa e inquietação constante, e, com o avanço da infestação, ocorre perda de pelos e espessamento da pele, comprometendo o desempenho produtivo.
Sarna sarcóptica (sarna vermelha)
Considerada uma das formas mais agressivas de sarna em bovinos, a sarna sarcóptica é causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei, que escava túneis na pele do animal.
Altamente contagiosa, é transmitida via contato físico entre os animais e se espalha por todo o corpo, causando alterações na morfologia e função da pele. Esse processo gera inflamação severa, vermelhidão e formação de crostas espessas, além de uma coceira muito intensa, levando à perda de peso e queda na produtividade.
Sarna corióptica (sarna de pé)
Desencadeada por ácaros do gênero Chorioptes (parasitas não escavadores), geralmente localizados nas regiões inferiores dos membros e na base da cauda, é considerada menos agressiva, mesmo que ainda represente um problema relevante de sarna em bovinos.
Os sinais incluem descamação, irritação leve e coceira moderada. Mesmo sendo mais branda, pode evoluir e se espalhar caso não haja diagnóstico e intervenção adequados.
Como identificar os sintomas no rebanho?
Como na maioria dos casos de enfermidades, reconhecer a sarna em bovinos precocemente é essencial para frear surtos. O primeiro sinal, que pode ser observado facilmente, é o aumento da coceira, pois os animais passam a se esfregar frequentemente em troncos, cercas e cochos.
Quando a doença alcança estágios mais avançados, surgem falhas na pelagem, crostas, espessamento da pele e áreas avermelhadas. Em casos mais severos, os animais costumam apresentar emagrecimento, irritabilidade e redução do consumo alimentar, refletindo diretamente na produtividade.
Outro ponto importante a observar é o comportamento do rebanho: quando vários animais apresentam sinais semelhantes, há uma grande probabilidade de infestação ativa. A inspeção constante do rebanho permite a rápida identificação de focos iniciais de sarna em bovinos, facilitando o seu controle.
Como tratar a sarna em bovinos?
A sarna em bovinos deve ser tratada de forma coletiva, considerando que a doença possui curva acentuada de transmissão. O ideal é tratar todos os animais do lote, mesmo os que não apresentam sinais clínicos, com o propósito de impedir reinfestações.
Além do uso de medicamentos antiparasitários, é fundamental associar o tratamento à limpeza das instalações e ao manejo sanitário adequado: ambientes contaminados podem funcionar como fonte contínua de reinfecção, reduzindo a eficácia terapêutica.
O uso de ivermectina no tratamento
A ivermectina é amplamente indicada para o controle da sarna em bovinos por conta da sua eficácia contra ácaros e outros parasitas externos e internos. Produtos à base de ivermectina, como o Endectocida Ivertec® 1% da Chemitec, atuam no sistema nervoso dos parasitas, levando à sua eliminação.
A ivermectina apresenta ação sistêmica, alcançando parasitas presentes em diferentes regiões do corpo, o que torna o tratamento mais prático e eficaz no controle da sarna em bovinos em rebanhos de corte e leite.
A aplicação do medicamento deve seguir rigorosamente a recomendação técnica e a orientação do médico-veterinário, respeitando a dose, o intervalo e o período de carência. O uso correto do remédio garante maior eficiência no tratamento e reduz o risco de resistência parasitária.
Manejos de prevenção e a importância da biosseguridade
É necessário investir em cuidados para manter o bem-estar e a produtividade do rebanho. Assim, a prevenção se destaca como o caminho mais eficiente para reduzir a incidência de sarna em bovinos.
Medidas de biosseguridade também ajudam a impedir a entrada e disseminação dos ácaros dentro da propriedade, e, entre as principais práticas preventivas, estão:
- Quarentena e avaliação sanitária de animais recém-adquiridos;
- Higienização periódica de instalações e equipamentos;
- Disponibilização de suplementos que contenham substâncias ectoparasitárias;
- Nutrição equilibrada;
- Uso estratégico de antiparasitários.
O investimento em monitoramento constante, diagnóstico precoce e manejo adequado vai permitir não apenas a saúde do rebanho, mas também maior produtividade e sustentabilidade da atividade pecuária. Dessa forma, o controle da sarna bovina deixa de ser apenas uma medida de urgência e passa a ser parte de uma estratégia eficiente de gestão sanitária.
Fontes:



